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Página acrescentada em  05 de fevereiro de 2026
 

Otacilio Rocha
(José Otacílio Rocha)


Nascimento: 1905  -  Falecimento: 14/08/1949

Sem data, talvez 1941

Nasceu em 1905 em Campo do Meio (MG).
Foi casado com Dna. Rosa Soares Rocha e tiveram 3 filhos, dois meninos e uma menina. Casou provavelmente por volta de 1928, primeiro filho nasceu em 1929.

Participou em 1941, com 36 anos e já tendo dois filhos, do "I GP Getulio Vargas", cujo percurso foi por estradas e dividido em sete etapas: Rio de Janeiro/Belo Horizonte/Uberaba/Goiânia/Barretos/Poços de Caldas/São Paulo/Rio de Janeiro.
Fez o percurso com um carro Ford V8 carretera, foi bem em quase todas as etapas e terminou em 13º lugar na classificação final, uma ótima classificação para um novato.

1942 - GP Governador Valadares

Continuou sua vida e em 1942 nasceu a filha caçula e  ele agora com três filhos e 37 anos de idade. participou do "GP Governador Valadares" no Circuito da Pampulha em Belo Horizonte (MG) com um Ford adaptado (carro de fórmula), não consegui a classificação, mas foi acima de 5º.

1944 - Formandos Aero Clube

Foi para Belo Horizonte em 1943 ou 44 para tirar o brevê de piloto aeronáutico.

Depois foi trabalhar como aviador civil do Ministério da Agricultura e desempenhava suas funções no Fomento Agrícola em Belo Horizonte, provavelmente até falecer no acidente em 1949.

Só voltou a participar de corridas aos 39 anos de idade, em 1944, mesmo ano em que tirou seu brevê de piloto aeronáutico no Aeroclube de Dores do Indaiá.

Em 1944 foi realizado o "I Prêmio Cidade de Belo Horizonte" no Circuito da Pampulha em Belo Horizonte (MG), ele se inscreveu e participou  com um Ford V8, adaptado para usar Gasogenio como combustível, era época de racionamento devido a II Guerra Mundial. Terminou em 8º lugar.

1948 - Bairro Calabouço - O Jornal (13/04/48)

Achei noticia dele representando o Aeroclube de Minas Gerais em uma solenidade de entrega e  batismo de 5 novos aviões de treinamento promovida pela Campanha Nacional de Aviação, no Calabouço (atual Aeroporto Santos Dumont), noticia dada no O Jornal (RJ) do dia 13/04/1948.

Otacilio Rocha na prova fatídica

Só voltou a competir em 1949, já com 44 anos e com a família se opondo a que participasse da prova.
Para participar comprou um carro três dias antes da prova por 10 mil cruzeiros, era um carro Hudson adaptado (carro de fórmula), e a prova era o "I GP Cidade de Belo Horizonte" no Circuito da Pampulha em Belo Horizonte (MG). E foi nessa prova que se acidentou mortamente.

Piloto renomado em seu estado, Otacílio Rocha havia participado, entre outras provas, do "Grande Prêmio Presidente Getúlio Vargas" de 1941, uma dura corrida de 3,900 quilômetros (2,423 milhas) disputada em sete etapas no Brasil, ao ver as noticias e saber da realização da prova logo providenciou a compra de um carro para poder participar, mesmo indo contra a vontade da família que era contra sua participação

A prova foi marcada para o dia 14 de agosto e contou com 21 carros no grid de largada para realizarem 10 voltas pelo circuito de aproximadamente 20 quilômetros e contou com a presença do prefeito, Dr. Otácilio Negrão de Lima.
A largada teve lugar às 14h, tomando logo a dianteira do pelotão o volante português Antonio Fernandes. Entretanto o nacional Francisco Landi a uns 500 metros depois assumiu a frente do mesmo, mantendo-se esta até a 8ª volta quando a mesma foi interrompida (...)” (Jornal do Brasil - 16/08/1949)

Pouco depois, quando transcorria a quarta volta ocorreu mais um acidente grave, desta vez com o piloto mineiro Otacílio Rocha (havia participado, entre outros, do GP Getulio Vargas em 1941) que perdeu a direção, subiu no meio fio e bateu num poste, vindo a falecer. Neste acidente ficou também ferido um Guarda-Civil com alguma gravidade, além de algumas pessoas sem nenhuma gravidade.
Ao completar a 3ª volta, tentou passar a frente de Raphael Gargiulo, tendo então perdido a direção e se projetado de encontro a um poste, resultando do desastre perder a vida com fratura na base do craneo”. (Jornal do Brasil - 16/08/1949)

Grid de largada - Internet

O estado do carro acidentado

Detalhe do carro - Revista O Cruzeiro

O corpo caído ao lado do carro - Revista O Cruzeiro

A matéria da Folha da Manhã é mais confiável, pois teve um repórter no local e uma matéria muito mais ampla e detalhada, dizia:
Cumpria-se a quarta volta da corrida e, pela curva próxima do “box” passavam o mineiro Otacílio Rocha por dentro e o carioca Gino Bianco por fora. Ambos iam em grande velocidade. O mineiro entrou muito e bateu no meio fio. O carro subiu para o passeio, onde se encontravam postadas dezenas de pessoas. Houve um desvio rápido do volante e o carro chocou-se contra um poste de iluminação pública, derrubando-o. Otacílio Rocha foi atingido em cheio pelo poste e ficou gravemente ferido. Quando era encaminhado para o hospital, não resistindo aos ferimentos que recebeu na cabeça, faleceu na ambulância (...) no acidente ficou ferido um guarda-civil que se encontrava de serviço no local (...) ficaram ainda feridas algumas pessoas, porém sem nenhuma gravidade. Essas, quando se deu o acidente, procuraram fugir do local, ferindo-se então na correria”. (Folha da Manhã - 16/08/1949)

A prova prevista para 10 voltas não chegou ao seu final. O chefe de polícia, Campos Cristo, ficou muito impressionado com os dois acidentes e mais ainda com a multidão que fugia ao controle e começava a invadir a pista na ânsia de ver mais de perto a disputa, e então antes do inicio da 8ª volta determinou que fosse interrompida, Manuel de Teffé, presidente da Comissão Esportiva do Automóvel Clube do Brasil e Pedro Santalucia, superintendente de pista acataram a determinação e deram a bandeirada ao fim da volta. Ficou
então a prova reduzida em 2 voltas, mas teve seu resultado validado.
... Campos Cristo afirmou que assim procedera porque encontrava-se o publico sem garantias, o mesmo ocorrendo com os corredores, pois os assistentes constantemente atravessavam a pista”. (Jornal da Manhã - 16/08/1949)

Otacilio faleceu com 44 anos de idade e seu corpo foi enviado para Campo do Meio (MG) a pedido da mãe, que lá morava.
 

A família em foto de uns 2 anos antes da prova que terminou em tragédia.
Otacílio ao lado do primeiro filho e a sua frente o segundo, a caçula e a esposa. O outro não sei quem é.

Isso foi tudo que consegui levantar, se alguém puder colaborar eu e os leitores agradeceremos.

TABELA DE PARTICIPAÇÕES E RESULTADOS  (Colaboração de Ricardo Cunha)

Data

Prova

Carro

Classificação

22 a 29/06/1941 I Prova Automobilística "Getulio Vargas"
Rio de Janeiro/Belo Horizonte/Uberaba/Goiânia/Barretos/Poços de Caldas/São Paulo/Rio de Janeiro
Carretera Ford 72 13º lugar
22/03/1942 GP Governador Valadares - Circuito da Pampulha - Belo Horizonte (MG) Ford Adaptado 46 ND
02/04/1944 I Prêmio Cidade de Belo Horizonte - Circuito da Pampulha - Belo Horizonte (MG) Ford V8 Gasogenio 2 8º lugar
14/08/1949 I GP Cidade de Belo Horizonte - Circuito da Pampulha - Belo Horizonte (MG) Hudson Adaptado 46 Acidente fatal

Colaboração:  Tiago Rocha Nunes (bisneto de Otacilio) e Napoleão Ribeiro
As fotos, quando não citada a origem, foram cedidas pelo Tiago


 

  
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