Um pouco das lendas e das histórias do automobilismo dos anos sessenta
 

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Autódromo Internacional de Tarumã

O Autódromo Internacional de Tarumã foi inaugurado em 8 de novembro de 1970 no município de Viamão, na Grande Porto Alegre (RS).

 

Viamão: no século XVIII (1701 a 1800) o território de Rio Grande de São Pedro, atual Rio Grande do Sul, já deixara de ser apenas uma zona de passagem entre Laguna (SC) e Colônia do Sacramento (URU). A riqueza de seus campos já fizera com que colonizadores aqui se fixassem.
No ano de 1725, Cosme da Silveira que integrava a frota de João de Magalhães se instalou nas cercanias do atual município de Viamão, os chamados Campos de Viamão abrangiam imensa área no nordeste do atual Rio Grande do Sul. Os habitantes primitivos foram os índios mbyá-guaranis e kaingangs.
A partir de 1732, O Rio Grande de São Pedro passou a atrair colonizadores (lagunenses, paulistas, portugueses e escravos) que se radicaram na região de Viamão. Outro marco foi a chegada e fixação de residência de 
Francisco Carvalho da Cunha em 1741, no sítio Estância Grande, onde ergueu a capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição. O município foi um dos primeiros núcleos de povoamento do Estado.
A partir de 1752 chegaram os primeiros açorianos (da Ilha dos Açores - PT), que desembarcaram na região de Itapuã e a quem foram doadas várias sesmarias, o povoamento recebeu grande impulso. Esses açorianos também colonizaram a região de Porto dos Casais, atual capital do Estado.
Elevada à categoria de freguesia em 1747, por ocasião da invasão castelhana (1766) se instalou nela a sede do governo da capitania, sendo transferida depois em 1773 para Porto dos Casais (atual Porto Alegre). Em 1880 foi desmembrada de Porto Alegre para tornar-se vila e sede do município.
A origem do nome Viamão é controversa. A versão mais comum é de que a partir dos morros da região é possível se avistar o rio Guaíba e seus cinco rios afluentes: Jacuí, Caí, Gravataí, Taquari e dos Sinos, que formam uma mão aberta. Daí a frase: "Vi a mão" (pouco provável). Já a versão mais provável, seria originária do nome "ibiamon", que significa "Terras de Ibias" (pássaros). Outros afirmam ainda que seria um caminho entre montes, a que chamavam de via-monte.
O automobilismo no Rio Grande do Sul começou em 1926, e as corridas eram realizadas em circuitos nas ruas de cidades e/ou em estradas.
Por essa época já começou a se destacar um nome: Norberto Jung, que ceio a se tornar um grande nome na história do automobilismo gaúcho, ele correu até a II Guerra Mundial, quando com a escassez de combustível as corridas que usassem gasolina foram proibidas, a solução foi usar o gasogênio, um equipamento que extraia gás de lenha ou carvão, era um “trambolho” preso à traseira dos automóveis. Jung fez algumas corridas com gasogênio e depois encerrou sua carreira. Parou mas não se afastou do automobilismo, tanto que em 12 de julho de 1949 junto com: Pelegrin Figueras, Paulo Avila Bertaso e José Rimoli fundaram a Associação Rio-grandense de Volantes (ARVO). Passaram a organizar corridas pelos diversos circuitos existentes, quer urbanos ou estradas, atraindo muitos torcedores que se postavam nos barrancos ou no meio-fio das calçadas.
Quando em 1952 a ARVO organizou o 1º Campeonato Gaúcho de Automobilismo, já na primeira prova, o “Circuito Praias do Atlântico” ocorreu um acidente fatal com o piloto Antônio Burlamaque. Mas muitos outros acidentes aconteciam, e cada vez com mais frequência.
Começou a nascer então a vontade da construção de um autódromo, pois se todos os esportes tinham suas praças adequadas porque o automobilismo também não haveria de ter?

Prova Folha da Tarde, vejam a proximidade do publico (1961)

Na década de 50 o automobilismo gaúcho era muito respeitado, não só pelos resultados dos pilotos como também pela organização e numero de corridas realizadas, principalmente as de carreteras, e tinha, pela proximidade, um intercambio grande com nossos “hermanos” argentinos. Á partir de 1942 surgiu a categoria Turismo Força Livre (Carretera). O termo carretera vem do castelhano e significa estrada. Na Argentina, onde esses modelos nasceram por volta da década de 30, as provas eram disputadas em estradas de terra, corridas de longa distância que cortavam o país, portanto, além de rápidos os carros tinham de ser muito resistentes, daí a denominação de “Turismo em Carreteras” (estradas) e os carros como tipo “Turismo de Carretera”.

Primeiro logotipo do ACRGS em 1957

Em 17 de junho de 1953 a ARVO foi transformada no Automóvel Clube do Rio Grande do Sul (ACRGS) por iniciativa de José Rimoli, que foi seu primeiro presidente.
Em função da segurança de pilotos e de expectadores é que um dos primeiros objetivos do ACRGS em 1956, já com a presidência de Roberto Ribeiro, foi a construção de um Autódromo para realização das provas com segurança, e pensando nisso um grupo de pilotos e dirigentes do ACRGS buscaram uma área adequada à construção de um autódromo.

Gabriel Cicchiarelli, José Asmuz e Catarino Andreatta, que compunham a Comissão de Construção do Autódromo, assinam o contrato de promessa de compra e venda (1956)

Essa área foi achada e então criada uma Comissão de Construção do Autódromo que firmou no Cartório Trindade um contrato de promessa de compra e venda de uma área de 50 hectares no loteamento Vila Tarumã, propriedade de João Carlos Viale Dias, em Viamão, município à cerca de 30 Km de Porto Alegre. Mas a obra era caríssima e o ACRGS não possuía os recursos necessários.
Notícia publicada em 1956 na Revista Globo:
“Para a concretização desse objetivo o Automóvel Clube lançou à venda títulos de sócios proprietários, de duas categorias, uma para firmas comerciais e outra individual, os títulos tem os valores de Cr$ 20.000,00 e Cr$ 5.000,00...”
Título da reportagem: “O Autódromo Norberto Jung a ser construído no Parque S. Cristovão, Vila Tarumã, orgulhará a cidade”. Esse era o nome do autódromo, o do ex-piloto campeão gaúcho e vencedor de provas nacionais e internacionais, precursor e ídolo do automobilismo gaúcho.
Antiga idéia o autódromo demandou anos de esforços conjuntos de pilotos, amantes do esporte, dirigentes, setor público e empresas, além de jornalistas e radialistas.

Depois da aquisição do terreno diversos pilotos e dirigentes se reuniam na área do autódromo para discutirem o futuro. Dessas reuniões começou a surgir o traçado da futura pista graças ao serviço de terraplenagem possibilitado pelo governador Ildo Meneghetti, que cedeu as máquinas do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER). Mesmo com o piso em terra alguns pilotos já se aventuravam nela para testes.
Sucederam a Roberto Ribeiro (56/60) na presidência do ACRGS: Jorge Alberto Mendes Ribeiro (61), Pedro Carneiro Pereira (62 e 63), Enio Lunardi Machado (64) e Antônio Rosa Pegoraro (65/70), esse até a inauguração de Tarumã.

José Carlos Viale Dias, proprietário, Roberto Ribeiro e José Asmuz assinando o contrato de compra e venda definitivo (1960)

O contrato definitivo de compra e venda foi assinado em 1960 e estavam presentes, além de João Carlos Viale Dias, proprietário, Roberto Ribeiro, presidente do ACRGS, José Asmuz, jornalistas e testemunhas. Enquanto isso as corridas continuavam sendo realizadas nos diversos circuitos de ruas e estradas com um numero cada vez maior de participantes e de assistentes.
Pedro Carneiro Pereira assumiu, em 1962, como vice de Mendes Ribeiro que logo saiu e Pedro assumiu a presidência do ACRGS dedicando-se então a difundir o esporte entre os jovens, também criou a prova (hoje tradicional) “12 Horas de Porto Alegre”. Devido à sua boa administração foi reeleito, e em seu discurso de posse disse:
“- Os planos são muitos, destacando-se entre eles o asfaltamento e a conclusão de Tarumã. Pode não haver dinheiro suficiente para a conclusão da obra. Pode haver incompreensões e má vontade de parte do poder publico. Tudo será contornado, porque raça e dinamismo existem de sobra nesta diretoria”.
Apesar dos esforços feitos por todos que desejavam ver a obra iniciada e concluída, o passo decisivo foi dado por Pedro Carneiro Pereira e Antônio Rosa Pegoraro, que foram, em 65, ao então governador Ildo Meneghetti, que cumpria seu segundo mandato, apresentar o projeto e buscar o apoio do estado. Desse encontro conseguiram o asfaltamento do kartódromo, inaugurado em 1967.

A fase “romântica” do automobilismo começava a terminar, o aumento do numero de participantes, os carros cada vez mais velozes, as disputas mais acirradas só faziam o publico aumentar. O fato de serem provas em locais públicos, sem cobrança de ingresso, e mais a possibilidade de poderem admirar os bólidos e seus pilotos de perto fez o publico gaúcho desenvolver uma verdadeira paixão.

Pedro Carneiro Pereira e Antônio Pegoraro apresentam ao governador Ildo Meneghetti o orojeto do autódromo (1965) Montagem sobre foto aérea, vejam que havia um circuito "interno", que não foi construído (1965)

Autódromo de Tarumã ainda sem asfalto (1965)

 
Foto aérea da terraplanagem (1965

Depois do grave acidente no “3º Circuito de São Leopoldo” em 23 de julho de 1966 onde 9 pessoas ficaram gravemente feridas ao serem atingidas por um carro DKW, e de alguns outros acidentes, mesmo que sem vitimas fatais, as mortes na ultima prova, em 21 de dezembro de 1969, fizeram os protestos de parte da sociedade crescerem, então o acidente fatal na “12 Horas de Porto Alegre” no Circuito Cavalhada-Vila Nova quando o competidor do VW nº 40 ao desviar de um expectador que atravessou a pista perdeu o controle e atropelou 5 pessoas que assistiam a prova sentadas no meio-fio, 3 faleceram e 2 ficaram feridos.

Circuito Pedra Redonda, improvisação e publico muito perto punham em risco a segurança (1961)

Foi a gota d’água! As autoridades proibiram por decreto a realização de corridas de rua no Rio Grande do Sul.
Só curiosidade, a dupla Emerson e Wilson Fittipaldi venceu a prova que acabou sendo a ultima de Emerson no Brasil antes de ir para a Inglaterra começar sua vitoriosa carreira internacional.
A saída para não pararem as provas no estado foi realizar corridas em trechos fechados de rodovias no interior. O campeonato de 1969 foi disputado em 4 provas: Veranópolis-Bento Gonçalves: Rodovia Presidente Kenedy; Cacheira do Sul-Rio Pardo e Circuito Encosta da Serra. Nesse ano ainda se correu na inauguração do Autódromo de Guaporé em 21 de dezembro, ainda uma pista de terra, mas compactada com óleo queimado para não levantar poeira.
A decisão de proibir as corridas de rua levou pilotos e dirigentes a batalhar cada vez mais pela conclusão do autódromo em Viamão. Em 1970 as competições pararam.
Antônio Pegoraro assumiu a presidência do ACRGS em 1965 e dedicou todos os seus esforços para as obras do autódromo, foi sua dedicação e de sua equipe que atraiu empresas para tocar as obras, desde o asfaltamento da pista, construção de boxes, acessos, cercas, estacionamento arquibancadas e etc...

Pegoraro mostrando projeto para empresários que visitavam as obras (1969) Obras na pista de Tarumã (1969) Asfaltamento final da pista (1970)

Em 1970 os trabalhos se intensificaram seguindo o projeto dos engenheiros responsáveis técnicos pela construção: Miguel Xavier da Costa, Edemar Lorenzini. Lucio Rgner, Jaime Gaspar dos Santos, Edmar Levy, cada um em sua especialidade e mais o arquiteto Sergio Monserrat. O projeto compreendia a pista, um restaurante típico, o “Tala Larga”, cinco unidades de atendimento com bar e sanitários, trinta boxes, duas torres de cronometragem, três pórticos com quatorzes portões e bilheterias. A pista ficou com a empresa Engenharia e Pavimentação Sul (Epasul) que montou uma grande infraestrutura no local.
“ O Autódromo de Tarumão está sendo construído conforme as exigências das competições internacionais, devendo constituir-se num centro de atração turística dos mais importantes aqui do sul do país.” (Diário de Notícias - 11/07/1970)
A pista tinha 3.016 m de comprimento, 12 m de largura nas retas e 14 m nas curvas, para sua execução foi necessária a movimentação de 600 mil m³ de terra. Em outubro praticamente estava tudo pronto, só faltando a ultima camada de asfalto.
“A Prefeitura Municipal, colaborando com Tarumã, mandou colocar às suas expensas, pela Luminocot, a mais perfeita sinalização de pista que existe na atualidade. O asfalto será totalmente demarcado com plástico, como vem acontecendo com as ruas de Porto Alegre, dentro do que existe de mais moderno no mundo.”  (Diário de Notícias - 30/10/1970)
O nome, desde 1956, era “Autódromo Norberto Jung”, mas em 1970 com a morte de Catharino Andreatta, outro ídolo do automobilismo, surgiram pilotos que preferiam que o autódromo o homenageasse, mas Pegoraro numa saída diplomática batizou como ”Autódromo Internacional de Tarumã”.
O nome Tarumã é de uma árvore abundante na região e que é encontrada desde Minas Gerais até a Argentina, com casca acinzentada escura.
José Asmuz, que conhecia a pista desde sua origem disse uma vez:
“- Aquele terreno foi adquirido por quatro pilotos: o Catharino Andreatta, o Norberto da Cunha, o Gabriel Cucchiarelli e eu. O dono tinha uns duzentos hectares e queria valorizar o loteamento. Compramos a área em 1965, em nome da ARVO. Aí fizemos o traçado, que é quase o mesmo de hoje. Depois, passamos umas patrolas e, em chão batido mesmo, íamos para lá destruir uns carros. Quem tocou o autódromo para valer foi o Antônio Pegoraro, que quando presidia o Automóvel Clube insistiu com o Peracchi  Barcelos, então governador do estado, conseguindo viabilizar a pista”.

O carro oficial rompendo a faixa de inauguração (1970) Carros e público lotaram todos os espaços do autódromo no dia da inauguração (1970) Publico presente para assistir a inauguração e as provas (1970)

Finalmente em 8 de novembro de 1970 aconteceu a cerimônia de inauguração.
A programação contou com desfile de bandas de musica, discursos de autoridades, tais como: governador, presidentes da CBA e da FGA e principalmente o de Antônio Pegoraro, que entre outras coisas disse:

Pegoraro lendo seu discurso (1970)
Pedro Carneiro e Pegoraro se cumprimentam (1970)

“- Esta cerimônia é o coroamento de uma longa e trabalhosa caminhada que se originou de um sonho bom de um grupo de pilotos e desportistas capitaneados por Rimoli, Brunelli, Catharino, Asmuz, Cucchiarelli, lá pelos idos de 1953, e que vem despertar neste dia e hora, sob a benção do céu, a compreensão estimuladora de nossas autoridades, o sorriso transbordante de nossos automobilistas e a alegria deste povo incomparável.
Por isso, a jornada que conta esta obra, ou a obra quando conta a jornada, sempre tem coisas a dizer. Que a emoção destes momentos tão altos em nossa vida não tenha o direito de impedir que os registremos no instante preciso em que o encerramento de uma etapa marca o inicio de outra, na sequencia interminável do espirito de continuidade que o progresso nos impõe...”


Pegoraro também lembrou no seu discurso do ex-governador Ildo Meneghetti:
“- Por outro lado, e aqui falamos com a tranquilidade de quem dá a Cesar o que é de Cesar, o Automóvel Clube encontrou em 1965, no então governador engenheiro Ildo Meneghetti, o apoio decisivo para que a proibição das competições em vias publicas não provocasse efeitos funestos para o automobilismo gaúcho. Sua Excelência autorizou o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem a prestar toda assistência as obras, e mandou incluir no plano da RS-1 a construção asfáltica da ligação Viamão-Autódromo.”
A fita inaugural foi rompida, não cortada, pelo carro oficial do Governo do Estado seguido de todos os participantes,.nesse momento o publico que havia lotado todos os espaços e, em especial, a grande reta irrompeu em aplausos e gritos de alegria.
Foram realizadas 6 corridas, 5 de carros e 1 de motos, essa internacional devido a presença de pilotos uruguaios.Grandes pilotos e carros vindos do centro do país atestavam a importância do evento. Camillo Christofaro com sua famosa carretera #18 chegou de São Paulo na véspera e não pode treinar e classificar, largando da ultima posição do grid.
 

 

CLASSIFICAÇÃO DAS PROVAS:
 

1ª Prova: “Presidente Antônio Pegoraro”
Turismo até 1.300cc

1º) Decio Michel (Corcel #30)
2º) Heloi Heinz (Corcel #11)
3º) Mauricio Rosemberg (VW #73)
4º) José Luiz Madrid (Corcel #5)
5º) Edesio Cé (Corcel #76)

2ª Prova: “Cidade de Viamão”
Turismo de 1.301 a 1.600cc

1º) Fernando Esbroglio (VW #1)
2º) Mario Olivett (VW #40)
3º) Ronaldo Berg (VW #27)
4º) Almir Valandro (VW #55)
5º) Sergio Blauth (VW #48)

3ª Prova: “Cidade de Porto Alegre”
Turismo de 1.601 a 3.000cc

1º) Milton Oliveira (FNM #5 )
2º) José Antônio Madrid (Simca #21)
3º) Carlos Kunzer (Simca #51)
4º) Lauro Maurmann Jr. (FNM/JK #25)
5º) Ivan Iglesias (Simca #84)

4ª Prova: “Tarumã”
Turismo acima de 3.000cc

1º) Pedro Victor de Lamare (Opala #84)
2º) Carlos Alberto Sgarbi (Opala #50)
3º) Altair Barranco (Opala #45)
4º) Ismael Chaves Barcellos (Opala #82)
5º) Pedro Carneiro Pereira (Opala #32)

5ª Prova Internacional de Motos


1º) Carlos Cirintana (Suzuki 500)

 

6ª) Prova Governador Walter Peracchi Barcellos
Força Livre

1º) Jayme Silva (Furia/FNM #26)
2º) Luiz Pereira Bueno (Bino Mark II #47)
3º) Camillo Christofaro (Carretera Chevrolet/Corvette #18)
4º) Fredy Giorgi (Puma #?)
5º) Pedro Victor de Lamare (Opala #84) 

“Por mais otimistas que fossem as perspectivas, ninguém poderia pensar num sucesso tão grande. Um público superior a setenta mil pessoas e um verdadeiro mar de automóveis esteve reunido em Tarumã, alguns carros do lado de dentro e outros nas cercanias. Foi um domingo de festa para coroar um trabalho que jamais será esquecido pelos esportistas gaúchos.” (Diário de Notícias - 10/11/1970)
Semanas depois, ainda em 1970, aconteceu a primeira corrida regional, o autódromo começava a cumprir seu destino de sediar provas: regionais, nacionais e internacionais, das mais diversas categorias.
Já nos primeiros dias de 1971 foi realizada a primeira prova internacional, uma etapa extra da “Copa Brasil de Automobilismo Internacional”, Emerson venceu. No mesmo dia foi realizada a “300 Milhas de Tarumã” para carros da Divisão 3. Ainda em janeiro mais uma prova internacional: “Troféu Cidade de Porto Alegre”, dessa vez de Fórmula 3, que contou com 6 brasileiros e 14 estrangeiros. Depois de duas baterias a vitória coube à David Walker da Inglaterra.
Depois, em junho, foi a vez de uma prova da Fórmula 4 Argentina, junto com Divisão 3. Uma etapa do “Campeonato Brasileiro Divisão 4-Protótipos” em agosto e no mesmo mês a 1ª etapa do primeiro “Campeonato Gaúcho de Fórmula Ford” seguida em setembro da primeira prova do “Campeonato Brasileiro de Formula Ford”.

A força do impacto fez o March de Salvati atravessar as lâminas da barreira de proteção (1971)

O autódromo recebeu finalmente no final de setembro o retorno da tradicional prova de 12 Horas, devidamente rebatizada como “12 Horas de Tarumã”, vencida pelo trio: Pedro Victor de Lamare, Carlos Quartin Moraes (paulistas) e José Luiz de Marchi (gaúcho).
Em outubro foi a vez da também rebatizada “500 Quilômetros de Tarumã”, antes disputada em POA no Circuito da Pedra Redonda.
Pouco antes de completar um ano aconteceu o primeiro acidente fatal no autódromo, o italiano Giovanni Salvati na ultima etapa do “Torneio Internacional de Formula 2”. Era 31 de outubro, participaram 7 brasileiros e 16 estrangeiros, inclusive Graham Hill, á bicampeão da F1, mas o vencedor foi o argentino Carlos Reutemann. Giovanni Salvati passou para a História do autódromo como sua primeira vitima fatal.
Já consagrado como palco de disputas emocionantes, em 1972 sediou 7 provas, sendo 4 de campeonatos nacionais e mais as tradicionais 12 Horas e 500 Quilômetros, e foi lançada em sua pista a 6 Horas de Tarumã. Junto com algumas dessas provas foram realizadas provas do campeonato gaúcho de Divisão 3.

Acidente impressionante tirou a vida dos pilotos Pedro Carneiro Pereira e Ivan Iglesias (1973)

Em 1973, numa prova do campeonato Divisão 3 ocorrida em 21 de outubro, houve o segundo acidente fatal no autódromo, dessa vez com duas vitimas: Pedro Carneiro Pereira e Ivan Iglesias.
Ao final da segunda volta os carros colidiram de lado, se engancharam, e, sem controle, saíram para a direita onde uma pequena rampa de grama os projetou para o ar fazendo-os capotar, o carro de Ivan explodiu em chamas no ar, caindo, ambos os carros, com as rodas para cima. Ivan teve morte praticamente instantânea, mas Pedro sobreviveu e ficou preso, enquanto tentava sair socando o vidro traseiro o fogo atingiu seu carro que em segundos ficou envolto em chamas. Com 200 litros de gasolina queimando nada pode ser feito. Pedrinho, como era chamado, morreu carbonizado.
Ele, uma figura carismática no meio esportivo gaúcho, pois era radialista e havia sido presidente do ACRGS quando contribuiu para a realização do autódromo.

Bandeirada para o vencedor da primeira corrida da Stock Car (1979)

Mas nos anos seguintes as atividades no autódromo continuaram com corridas de todas as categorias, até que em 1979 uma nova categoria foi lançada em suas pistas, a Stock Car, a primeira corrida foi em 22 de abril e teve como vencedor Affonso Giaffone. Categoria que se tornou a mais famosa do Brasil nas décadas seguintes.
Onze anos após sua inauguração (1981) foi realizada a primeira reforma no autódromo atendendo  solicitações de pilotos e dirigentes, a mais importante foi o recapeamento total da pista. O então governador, Dr. José Augusto Amaral de Souza, atendendo pedidos da FGA e do ACRGS cedeu maquinário e mão de obra para a realização dos trabalhos.

Formula Super Truck (1995)

Na década de 80 recebeu os mais importantes campeonatos de carros de turismo e de monopostos.
Nos anos 90 teve inicio mais uma nova categoria, a Fórmula Truck, e Tarumã recebeu em dezembro de 1995 o “GP Internacional de Caminhões”. Foi um sucesso de publico.
Em 2002 o presidente do ACRGS na época, Rudolfo E. Rieth, atendendo um pedido de Vitório Andreatta, filho de Catharino, e outros, colocou o nome na pista de Circuito Catharino Andreatta. Norberto Jung havia falecido em 1976.
Três décadas depois de sua inauguração, no inicio de 2004 foram efetuadas novas reformas quando teve alargadas algumas curvas, ampliação de suas áreas de escape (Curva 1 e Tala-Larga) e novamente recapeada sua pista.
O Autódromo de Tarumã é, até hoje, um dos circuitos mais tradicionais do país. A pista agora tem, oficialmente, 3.039 m com 9 curvas, de altíssima até média e baixa velocidade, e um “esse” em descida, a temida e desafiadora “Curva do Tala-Larga”.

Clique aqui e assista um documentário sobre as corridas em ruas e estradas nos anos 60 no RS


Bibliografia:
Automobilismo no tepo das carreteras (Luiz Fernando Andreatta e Paulo Renner - 1992)
Automobilismo Gaúcho (Gilberto Menegaz - 2002)
O narrador de emoções (Leandro Martins - 2006)
12 Horas, histórias e estatisticas (Paulo Torino e Paulo Lava - 2006)
Tarumã - |Uma hist´ria de velocidade (Gilberto Menegaz, Paulo Lava e Paulo Torino - 2008)
Das pistas para a história (Gilberto Menegaz, Paulo Lava e Roberto Giordani - 2012)
Acervo jornal Diário de Notícias (site)
Sites diversos

Fotos retiradas da Internet e algumas copiadas dos livros da bibliografia.

Acrescentada dia 08 de novembro de 2017
 
 

 


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