Um pouco das lendas e das histórias do automobilismo dos anos sessenta
 

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DKW Vinhaes – O “xis” da questão

A dificuldade em escrever sobre coisas do passado, é a falta de notícias confiáveis, de testemunhos precisos, é necessário cruzar todas informações disponíveis juntando pontas soltas para poder formar uma idéia mais ou menos confiável do fato a ser descrito.  É o caso desse protótipo dos anos sessenta.

O DKW Belcar, modelo sedan da Vemag, era um carro pequeno, leve, muito estável e com um motor tricilindrico de 980 cc. que tinha um ruído característico: quando em baixa rotação era um barulho meio "empipocado", mas em alta rotação era um “grito” agudo, muito diferente do ronco grave dos V8 de alta cilindrada. Logo ganhou uma legião de fãs, tanto entre os pilotos como torcedores.

Nilo de Barros Vinhaes foi um dos pilotos que adotou esse carro. Nascido em 1930 na cidade de Bagé, RS, desenvolveu sua carreira automobilística (61 a 66) em São Paulo, toda ela com automóveis da marca DKW, só sei de duas corridas que participou com carros de outra marca. Em 63 com mais três amigos formaram a equipe “Tôai” e inscreveram dois DKW's na “12 horas de Interlagos”,  os quatro se revezaram ao volante, classificando os dois carros, em 10º e 17º.

Também construiu um estranho protótipo dessa marca, o “DKW-Vinhaes”. Uns diziam que o protótipo nasceu a partir de uma perua Vemaguete, outros que foi de seu próprio Belcar de corrida que após sofrer uma batida na traseira, ele chegou à conclusão que era mais barato cortar fora a parte amassada do que reconstruir tudo,
aproveitou para rebaixar o teto e aumentar a cilindrada para 1080cc. transformando-o em um estranho carro que foi para as pistas pela primeira vez em 64 para participar da "6 Horas de Interlagos", e sempre que entrava na pista todos na arquibancada diziam:
- “Lá vem o DKW pé-na-bunda!!” 

Como editor do site converso com vários ex-pilotos, e um deles, que chegou a pilotar esse carro, disse que não, não era esse o nome, o nome correto era “DKW-Chute”, pensei: " - só se fosse lá nos boxes entre os pilotos. Ali na arquibancada entre os torcedores era “DKW pé-na-bunda” mesmo".
Veja as fotos de baixo para cima: o Belcar, o chassis e o protótipo, é fácil entender porque esse apelido.

A possibilidade dessa modificação tem sua explicação na própria estrutura do carro: ele tinha um chassis em formato de “xis” que acabava justamente no eixo traseiro, portando o porta malas do sedan ou o bagageiro da perua não tinham estrutura nenhuma.
A origem, Belcar ou Vemaguete, tem defensores de ambos os lados e quem poderia nos esclarecer tudo, o próprio Nilo, não foi ainda localizado.

ATUALIZAÇÃO   
Em agosto de 2007 localizei o ex-piloto Nilo de Barros Vinhaes e em uma de nossas conversas ele contou a verdadeira história do "pé-na-bunda":
"- O protótipo? Eu fui no Rino Malzoni, lá em Matão/SP e tinha essa carroceria lá, da Vemag, aí eu pedi pro Rino e ele me deu. Estava lá, encostada, jogada num canto, de alumínio, muito leve. Aí eu trouxe a carroceria para São Paulo e levei para um funileiro ali numa travessa da Av. Sto. Amaro e nós cortamos toda ela e fizemos o protótipo. Tiramos a traseira fora, abaixamos o teto, fizemos um monte de coisas".
"- E o apelido?" - perguntei.
"- Eu sabia e me divertia muito com esse apelido que o protótipo ganhou".

Saiba mais sobre a carreira automobilística de Nilo de Barros Vinhaes
clicando aqui.

 

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