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Página acrescentada em 08 de novembro de 2006.
Crispim
(Miguel
Crispim Ladeira)
por
Paulo Roberto Peralta
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Crispim
e Peralta - 2007
"Classicos de
Competição" |
Nasceu
em Campinas (SP) em 22 de novembro de 1940 e quando tinha apenas 1
ano de idade sua família mudou-se para São Paulo. Diz que “nasceu
mecânico” tal era sua curiosidade em saber como as coisas
funcionavam.
Estudou na “Escola Técnica Getulio Vargas” da Rua Piratininga,
no Braz, e depois, com 16 anos, foi trabalhar numa oficina
mecânica para em seguida prestar o serviço militar obrigatório
no 2º Batalhão de Engenharia de Combate em Pindamonhangaba (SP),
como mecânico, é claro! Era o soldado “Ladeira”.
Em junho de 1960 fez um teste na Vemag (fabricante dos carros
DKW)
onde muito valeu o curso técnico, foi admitido por Otto Kuttner e
Jorge Lettry para trabalhar no Departamento de Testes. O
Departamento desenvolvia testes de componentes para os veículos DKW
e foi através desse Departamento que a Vemag começou a participar
das corridas, em 1960 participou da prova de inauguração de Brasília,
não como uma equipe oficial, ainda ligada ao
Departamento de Testes, e dando suporte e assistência às
concessionárias. Participaram de algumas outras provas dessa forma,
inclusive as Mil Milhas Brasileiras/60, quando Crispim pisou pela
primeira vez em Interlagos, adorou, ficou contaminado pelo vírus da
velocidade.
As fábricas logo perceberam que as corridas eram um excelente
laboratório para desenvolver seus produtos e começaram a
participar das provas longas. A partir de 1961 a
Vemag entra como equipe oficial de fábrica, criaram o Departamento de Competições
chefiado por Jorge Lettry e Crispim como encarregado dos mecânicos,
estrearam na Mil Milhas de 1961 com os pilotos Mario
Cesar de Camargo Filho, o Marinho e Bird
Clemente.
Lettry
e Crispim iam criando inovações nos carros e Crispim, além de
cuidar de tudo nos carros da equipe, ia desenvolvendo os motores,
sua melhor especialidade. Foi chamado na época de “o mago dos
motores DKW”.
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Araraquara/62
- Crispim leva o F-Jr
de
Bird Clemente para o grid |
Em
1962 Bird comprou um chassi de Fórmula Junior construído por Toni
Bianco, e Crispim no Departamento de Competições instalou um
motor DKW (entre eixos) com sua cilindrada aumentada de 981cc
para 1.089cc, trocou a suspensão traseira por uma dianteira do
Candango, devidamente adaptada, além de mexer na distribuição de
peso.
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500
Km/63
- Preparando o F-JR |
No
desenvolvimento do esportivo GT Malzoni em 1963, foi Crispim quem
desenvolveu o gabarito para encurtar o chassi, ajudou a desenvolver
o Kit para instalar a alavanca de
cambio no chão e na bomba d’água centrifuga em substituição
ao sistema termo
sifão, mas antes ele já havia participado de outras realizações
pioneiras, como a instalação do primeiro freio a disco num DKW de
competição.
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A carretera
"Mickey
Mouse"
em construção |
Quando
a Vemag começou a carreterização dos DKW de
competição, construiu duas com o teto
rebaixado e aliviadas ao
máximo no peso,
depois em 1964 mais uma, a famosa “Mickey Mouse”, que além do
teto rebaixado teve seu “entre eixos” encurtado em
35 cm
.
Crispim se casou aos 24 anos, continuou morando na Vila Mariana e
teve dois filhos e uma filha.
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6Hs de Interlagos 65 c/Lameirão |
Em fins de 1964 o Departamento de
Competições comprou as três primeiras carrocerias em fibra de
vidro do GT Malzoni, Crispim equipou os três carros com o motor de
1.089cc
que havia desenvolvido para o F-Jr e as carreteras. Como dispunham de
vários motores com especificações diferentes eles eram trocados
em função da pista onde iam correr.
Em 1965, Lettry, Anísio Campos e Rino Malzoni decidiram dar um
destino ao F-Jr da Vemag que estava encostado, a F-Jr não havia
vingado no Brasil, construiriam um “streamlined” para
estabelecer um recorde de velocidade aproveitando seu
chassi.
Crispim instalou o melhor motor do departamento e o carro foi
enviado para Matão,
onde Rino Malzoni o encarroçou. Em agosto o
carro fez testes em Interlagos e a Revista 4 Rodas se associou ao
projeto, levou quase um
ano mas em junho de 1966 foram ao Rio de
Janeiro para a tentativa.
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Trocando os pneus do Carcará/66 |
Nos primeiros testes o carro
“passarinhava” muito, segundo o piloto Marinho. Como o carro
tendia a "grudar" a frente, substituíram então os pneus radiais por
diagonais (que tinham menos aderência,
no movimento da direção
tinham reação mais lenta e deixavam o carro mais dirigível do que os radiais),
trocaram o volante por um
de maior diâmetro para diminuir a sensibilidade da direção e Crispim tirou uma trava que havia colocado na suspensão adaptada e
mexeu na altura do carro. Novos testes e o motor engripou, causando
uma perda de uns 10% da potência. Mas no dia seguinte, 29 de junho,
chegaram e estabeleceram o recorde, agora com Norman Casari ao
volante:
212,903 km/h
na média de duas passagens.
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Troféu
do “Prêmio Victor” |
Ganhou
o Prêmio Victor de “Mecânico do Ano”, oferecido pela revista
Quatro Rodas em abril de 1967, referente ao ano de 1966, e o recebeu das mãos de Carlo Pintacuda, ex-piloto italiano
que ganhou
duas vezes o Circuito da Gávea no Rio de Janeiro (1937 e 38) e o "GP
Cidade de São Paulo" em 1936. Prêmio justo, pois inúmeras foram as
vitórias dos carros brancos da Vemag e nos bastidores, sem
aparecer, lá estava o Crispim.
Com a compra da Vemag pela Volkswagen em 1966, o Departamento de
Competições foi desativado e Crispim ficou para liquidar o acervo
da equipe (vender), mas diversos pilotos queriam participar da
"Mil Milhas", e com DKW. Após reunião da diretoria, VW, e a equipe,
ficou decidido que a Vemag emprestaria cinco carros, mas os pilotos
arcariam com as despesas de inscrição, pneus (com rodas), óleo e
combustível. Criaram a “Equipe Brasil”, não tinha nada, era
como uma cooperativa e aproveitavam a estrutura da extinta equipe
Vemag. Sem Lettry, Crispim ficou nos boxes comandando tudo. Essa
equipe correu apenas duas provas, a "Mil Milhas Brasileiras" e
o "1000 Quilômetros
da Guanabara", ambas em 1966.
Em
seguida Crispim
passou
para o Departamento de Serviços como instrutor da Escola Mecânica
DKW, que atendia as revendas Vemag e também os estagiários,
principalmente da FEI.Ao
sair do Departamento de Competições Crispim comprou um carro Grupo
I para seu uso pessoal, como o amigo e colaborador (espontâneo)
Edgard de Mello Filho desejava estrear nas pistas, não teve dúvidas,
emprestou o carro para o amigo fazer sua corrida de estréia.
Saindo da Vemag foi trabalhar numa revenda VW de Campinas (SP) e
depois de passar por mais duas revendas em São Paulo
retornou às
competições em 1971 como Coordenador Técnico da Equipe “Z” do
Anísio Campos e Luiz Pereira
Bueno, que depois patrocinado pela "Souza Cruz" passou
a se chamar Equipe Hollywood. Foi a primeira equipe a ter uma estrutura realmente
profissional no Brasil, ficou por 1 ano.
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Entrevista -
Eq. Motoradio/73 |
Em 1972
numa sociedade com
Chiquinho Lameirão e Angi Munhoz montaram a “Equipe Brasil”
patrocinados pela Motoradio, correram nas categorias Fórmula Super
Vê, Formula Ford e Divisão 4 com um protótipo Avallone/Chrysler.
Ficou até 1977, quando ele e Lameirão abriram a “Boxer Auto Mecânica”,
e no ano seguinte, 1978, com a sociedade desfeita e aos 38 anos,
resolveu
abrir sua própria oficina
no
Bairro de Vila Mariana
onde
ficou até final de 2005.
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Afinando
um motor
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Durante esse período só voltou às pistas em 1984 para preparar o
carro (em sua oficina) e dar assistência de pista ao amigo Jan Balder que em dupla
com Fausto Dabbur
corria no Campeonato de Marcas e Pilotos com um VW
Voyage cedido pela fábrica. Ficaram uma temporada apenas
e em seguida voltou a se dedicar unicamente à sua oficina.
Em
2005 arrendou a oficina e voltou às pistas de competição como Coordenador
Técnico da CRT (Champion Racing Team) de Walter e
Rafael Derani, mais o
Nelson Girardi.
A equipe, na época, disputava o Troféu
Maserati com 2 carros
e
participava
de provas de
"Endurance" com 2 Porches, e contava também com o piloto Artur Bragantini como
“personal pilot”.
Crispim saiu da CRT em 2007 e, como
não sabe ficar longe das pistas de corrida, atualmente procura uma
nova equipe para ingressar e poder usar todo seu conhecimento de
preparador.
Dois
momentos
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<< 1964 - Crispim observa Fangio testando a "Mickey Mouse".
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1966 -
Na inauguração da loja de Norman Casari,
na noite do dia do recorde. >> |
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