Uma visão dos nossos históricos anos sessenta e um pouco antes

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Pilotos:
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Bird Clemente Bob Sharp Breno Fornari Caetano Damian Camillo Christofaro Carlos Sgarbi Catharino Andreatta Celso L. Barberis
Christian Bino Heins Ciro Cayres Domingos Papaleo Eduardo Celidonio Emerson Fittipaldi Emilio Zambelo Ênio Garcia Eugênio Martins
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José Tôco Martins Júlio Andreatta Luiz A. Margarido Luiz Carlos Valente Luiz Pereira Bueno Luiz Valente Marinho Nicola Papaleo
Nilo de Barros Vinhaes Norman Casari Orlando Menegaz Nastromagario Pedro C. Pereira Piero Gancia Raphael Gargiulo Ricardo Rodrigues de Moraes
Roberto Gallucci Roberto Gomez Salvador Cianciaruso Toninho Martins Victorio Azzalin Vitório Andreatta Waldemar Santilli Zoroastro Avon
Preparadores e/ou construtores:
Anísio Campos Jorge Lettry Miguel Crispim Nelson Brizzi Toni Bianco Victor Losacco    
Pioneiros:
Ângelo Juliano Benedicto Lopes Chico Landi Chico Marques Gino Bianco Hermano da Silva Ramos Irineu Correa João R. Parkinson
Manuel de Teffé Nascimento Junior Norberto Jung Sylvio A. Penteado Villafranca      

 

Página acrescentada em 15 de junho de 2005.  Atualizado em setembro de 2020.

José Cândido Villafranca Castro
por Paulo Roberto Peralta (com a colaboração de Fernando C. Villafranca)
 
   

Nasceu em Santa Fé, Granada, na Espanha no dia 4 de setembro de 1911, filho de José Villafranca Perez, que era apaixonado por automobilismo e que fez pelo menos uma corrida, o “Quilômetro Lançado da Avenida Paulista” em 1926.

Veio para o Brasil aos 9 anos junto com os pais e dois irmãos. Moraram no bairro da Moóca em São Paulo, mas quando se casou mudou para o bairro de Vila Prudente, também em São Paulo, onde montou uma oficina mecânica, a primeira do bairro, e como o pai, também se dedicou ao automobilismo. Em sua oficina, além de consertos comuns para clientes comuns, também preparava os carros de corrida da família e de amigos.

1928 - Corrida em Praia Grande

Em 1927 seu irmão Ângelo já havia participado de duas provas e em 1928 foi participar de uma prova na Praia Grande (SP), então José Candido foi junto para fazer dupla. Não foi possivel localizar o resultado da prova.
Seu irmão Ângelo Villafranca participou de mais algumas corridas, sendo as duas mais importantes: o “I Grande Prêmio Cidade de São Paulo” em 1936, aos 28 anos, onde apesar de ter-se classificado por apresentar um cartel de participações seu carro foi recusado na vistoria técnica e mesmo tendo feito todos os reparos solicitados não pôde participar, ficando como reserva (veja detalhes aqui), e o “I Circuito da Gávea Nacional” no Rio de Janeiro (RJ), em 1938, que foi sua principal prova, onde se classificou em 7º lugar na geral e em 4º na categoria Adaptados de corrida com um Stutz de 5.275cc.

1937 - II Circuito do Chapadão

Medalha da prova Abnegados
1950 - 5º lugar

Das provas que José Candido participou ficaram poucos registros, entre eles a participação no “II Circuito do Chapadão” (1937) onde a alavanca do câmbio se soltou e ele fez a corrida inteira em “prize direta” (3ª marcha), sem poder trocar de marchas. Outra encontrada foi o “GP Commércio e Indústria” (1938) onde correu com o Stutz preparado por seu pai e chegou em 6º na geral.

Carro Stutz (do irmão) em 1938 na Vila Prudente

Texto retirado do jornal “Correio Paulistano” de 18/03/1938 falando do preparo do carro por seu pai:
... um dos “azes” desse enthusiasmo é José Villafranca Perez, veterano do automobilismo paulista, na activa desde os tempos do “Volante Clube”. Seu ultimo trabalho, laboriosamente realizado desde setembro ultimo, foi a adaptação de um possante motor “Stutz” de 8 em linha, com dupla “alumage”... A se julgar pela performance da outra na “2ª Volta do Chapadão”, é de se crer que esta machina de Villafranca faça uma corrida brilhante, pois, além dos méritos que lhe apontamos, mais um o distingue: a irrepreensível educação esportiva que todos elogiam; a absoluta lealdade para com todos os adversários, dentro e fora da pista.”

Em 1949, aos 38 anos usou uma Bugatti do sr. Américo, industrial do ramo de cortiças da V. Prudente, para participar da prova preliminar do “VI GP Cidade de São Paulo”, mas antes fez algumas modificações na "barata". Se inscreveu, treinou e se classificou, mas não participou. Um ajudante de mecânico de nome Alfredo, ao dar uma volta de aquecimento na véspera da corrida capotou o carro, ele quebrou a clavícula e o carro ficou danificado o suficiente para impedir sua participação na corrida. Essa Bugatti ele havia modificado e preparado em sua oficina. A prova principal foi vencida por Luigi Viloresi, da Itália, com uma Maserati 4CL T/48.

1948 - Bugatti antes da modificação

1948 - Apresentação da Bugatti depois da modificação

Sua última prova, diz seu filho, foi em 1951 onde venceu na categoria até 1000cc com um Fiat Topolino de 500cc, de propriedade de outro amigo industrial, mas após a prova um fotógrafo retratou o dono do carro com os óculos de competição no pescoço sentado no pára-lamas e publicou a foto como sendo do vencedor da prova. Isso o magoou tanto que decidiu abandonar o automobilismo e nunca mais pisou em Interlagos ou qualquer outra pista de competições, mas continuou preparando os carros de pelo menos um amigo: Luiz Ambrósio, que participou, entre outras, de 3 provas “Mil Milhas Brasileiras”, as de 56, 57 e 58.

Casado, teve duas filhas e um filho.
Faleceu em 26 de junho de 1990 aos 79 anos de idade. 
        
                                       
Participações em provas (José Villafranca)

??/??/1928 - Prova em Praia Grande (SP) - Paige n° 11 - Com Angelo Villafranca - Classif. desconhecida
1
9/09/1937 - II Circuito do Chapadão - Campinas/SP - Stutz 1000cc n° 34 - Classif. desconhecida
19/03/1949 - GP Cidade de São Paulo - Bugatti/Chevrolet
- Prova para Carros Adaptados de Corrida no sábado, preliminar da prova Internacional de domingo - Não participou, mecânico capotou o carro na véspera.
30/04/50 - II Prêmio Crônica Esportiva Paulista - Interlagos/SP - Bugatti/Chevrolet n° 42 - 9° na geral e 6° na cat. Carros adaptados
18/06/1950 - I Prêmio "Abnegados" - Interlagos/SP - Bugatti/Chevrolet n° 42 - 5° Lugar
1951 - Prova regional - Interlagos/SP - Fiat Topolino 500cc - 1° lugar na cat. até 1000

 

Família Villafranca (também automobilistas)


José Villafranca Perez
 
(pai)

Em meados de 1919 chegou ao Brasil, vinda da Espanha, a família Villafranca, e com ela veio José Villafranca Perez com a esposa e na época com 3 filhos. Nascido em 18 de setembro de 1887 em Santa Fé, Granada, na Espanha, instalou-se no bairro da Mooca em São Paulo onde inicialmente desenvolveu seu ofício de marceneiro entalhador para depois montar uma pequena fábrica de fertilizantes agrícolas que logo cresceu dando à ele a oportunidade de participar de provas automobilísticas, uma paixão que tinha.

Fernando e a taça
Foto de 1960

Participou de algumas provas mas delas só restou a foto do troféu nos braços do neto Fernando conquistada na prova "Quilometro Lançado da Avenida Paulista" em 1926. Em 1940 mudou-se para Minas Gerais, mas deixou em São Paulo seus 4 filhos, um nascido no Brasil, lá tornou-se industrial: Metalúrgica Cometa S/A e fazendeiro.

De seus filhos, dois, Ângelo e José Candido, dedicaram-se à mesma paixão do pai: o automobilismo.

Faleceu em 03 de agosto de1963 em Divinópolis/MG com 76 anos de idade.




Ângelo Villafranca
(irmão)

Nascido em 2 de agosto de 1908 em Santa Fé, Granada, Espanha, veio para o Brasil com 11 anos. Morou sempre no bairro da Mooca em São Paulo e como o pai também montou uma industria de fertilizantes e dedicou-se ao automobilismo, até sofrer um acidente fatal de motocicleta na Av. Paes de Barros na Moóca em 5 de março de 1945 com 37 anos.
Participou de diversas provas na época do "Volante Club de São Paulo", mas não foram localizados registros dessas participações.
Em 1927 participou de duas provas: "Prova Rei e Rainha do Volante de São Paulo" no bairro do Pacaembu
Das provas que participou, teve uma, o "I GP Cidade de São Paulo" em 1936, onde apesar de ter-se classificado, teve seu carro recusado na vistoria técnica e mesmo tendo feito todos os reparos solicitados não pôde participar, ficou como reserva, veja reportagem da época, sua participação acabou se limitando a um treino que teve direito como reserva..

Caricatura Gávea/38

Sua principal prova foi o "Primeiro Circuito Nacional da Gávea" no Rio de Janeiro em 1938, onde se classificou em 7º lugar na geral e em 4º na categoria Adaptados de Corrida com um Stutz de 5.275cc. a prova vencida por Nascimento Junior com uma Alfa Romeo P3 e tendo Chico Landi chegado em segundo.
 
Faleceu em 05 de março de 1945 com 37 anos de idade em um acidente de motocicleta no bairro da Moóca em São Paulo.
 

Prova Rei e Rainha do Volante de São Paulo Ângelo ao volante e seu tio Antonio Villafranca Perez ao lado I Circuito da Gávea Nacional (29/05/1938)

Participações em provas (Ângelo Villafranca)  

14/08/1927 - Prova Rei e Rainha do Volante de São Paulo - Bairro do Pacaembu - Bugatti n° 7 - Com Antonio Villafranca Perez -
1° Lugar na cat. Turismo
12/12/1927 - Prova Eduardo Matarazzo - São Paulo (Sacoman) - Paige n° 11 - 4º na geral e 1º na cat. Turismo
??/??/1928 - Prova em Praia Grande (SP) - Paige n° 11 - com José Candido Villafranca - Classif. desconhecida

14/06/1936 - I GP Cidade de São Paulo - Av. Brasil - Stutz 1000cc n° ?? - Cat. Carros adaptados - Impedido de correr
??/??/1937 - Circuito de Bauru/SP - Stutz 5300cc n° 34 -
Classif. desconhecida
29/05/1938 - I Circuito da Gávea Nacional/RJ - Stutz 5300cc n° 26 - 7° na geral e 4° na cat. Carros adaptados
10/10/1938 - I GP "Commércio e Industria de São Paulo" - Bairro do Pacaembu - Stutz n° 44 -  3° na cat. Carros adaptados
 


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