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Página acrescentada em 15 de fevereiro de
2008.
Graziela Fernandes
(atualmente Graziela
Santos)
por
Paulo Roberto Peralta
Paraguaia de nascimento, brasileira de coração, tinha sangue italiano nas veias,
sua mãe era italiana.
Na pré-adolescência quis, pediu
e ganhou uma
pequena moto de 50cc. Já adolescente fez o Curso Normal e, gostando
muito de motores e velocidade, fez também um curso Técnico de
Engenharia de Motores.
Nasceu no Paraguai, mas na primeira oportunidade
mudou-se para o Brasil, e, já naturalizada, diz até hoje que se
considera brasileira pelo tanto que gosta do país.
Morando inicialmente no Rio de Janeiro e possuindo um carro
esporte
marca Willys
Interlagos, conversível, inscreveu-se em uma prova feminina, preliminar
da “100 Milhas
da Guanabara”, onde
correu patrocinada pela concessionária
Cássio Muniz, que cuidou
da preparação do carro.
Morava
no Rio e querendo sempre estar perto de automóveis e motores tentou
trabalhar
na FNM, mas não conseguiu, depois tentou
em São Paulo e conseguiu na Willys. Feliz da vida, mudou-se imediatamente para São
Paulo e começou a trabalhar no Depto. de Engenharia Experimental
como piloto de testes, testava tudo que seria lançado um ou mais
anos depois. Os engenheiros introduziam modificações e os pilotos
testavam.
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| Com
Renault 1093 em Piracicaba/65 |
Por essa época corriam na Equipe Willys,
Wilson Fittipaldi e seu
irmão Emerson
Fittipaldi, o Moco e o Luiz
Pereira Bueno, tentou correr pela equipe, mas não podia porque
trabalhava na fábrica, então a Willys lhe cedeu um Renault 1093
para correr, o carro era da fábrica, mas não da Equipe, mas era a
Equipe que preparava o carro. Nessa época quem ajudou muito,
ensinando, apurando seu dom natural de correr, foi Luiz Pereira
Bueno, um piloto muito técnico e rápido. Sua primeira corrida
com esse carro foi em Interlagos numa prova feminina, chegou em 3º
lugar, depois correu em Piracicaba onde participou de duas corridas,
Grupo II e Grupo III.
Correu o Mil Km de Brasília de 1966 em dupla e com a Berlineta
do “Tigrão” da Torke (Luiz Carlos Fagundes), mas foi a Equipe
Willys que
preparou o carro.
Não terminaram, o carro quebrou quando faltavam apenas duas horas
para o final. Tinha também uma de passeio, modelo Berlineta, que tirou zero
na fábrica, com motor mais possante.
Correu de Kart. Numa ida à fábrica de volantes que o Emerson e o
Wilsinho tinham, viu um Kart Mini no chão, nunca tinha visto, e na
conversa surgiu o convite:
”-
Olha, no fim da semana tem corrida pelo Campeonato lá em Ribeirão Preto, vai para lá que te emprestamos o Kart.”
Foi,
e lá chegando passou primeiro pelo kartódromo, quando viu aqueles
carrinhos e a velocidade que andavam, pensou em desistir, afinal só
tinha corrido em carros de turismo, mas como era tarde resolveu
pernoitar na cidade, quando chegou ao hotel, os repórteres de
televisão, de jornal, revista, estavam todos esperando por ela, a
“boneca que ia correr”.
”-
Eu não pude mais cair fora, como eu ia falar que nunca tinha
andado?”
Recorda.
Lá foi, treinou no sábado e no domingo correu, chegou em 3º
lugar.
Da categoria estreante já saiu na 1ª corrida, pois pegou pódio.
Depois fez 2 de novatos, e por pontos passou para profissional. Aí
não correu mais, não tinha como conciliar com seus outros
interesses.
Em 1967, mesmo não correndo, não se afastou do automobilismo, por
exemplo, foi quem pilotou o carro madrinha no Circuito de
Piracicaba, um Ford Galaxie 500.
Saiu da então Ford-Willys quando a Chrysler a convidou em 1967 para
montar um curso de mecânica para mulheres, iniciou o curso, mas na
época,
paralelamente,
existia o Curso Marazzi
de Automobilismo
que em 68/69 foi patrocinado pela Ford que a chamou para fazer o
curso na Ford. Lá foi ela para a Ford, o Marazzi fazia o curso para
homens e ela um voltado para mulheres.
Esse período, 1968 e 69, com o autódromo de Interlagos fechado
para reformas e desligada da Ford, não competiu, mas sempre
continuou ligada aos automóveis.
Das mulheres que participavam de corridas na época ela diz:
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Moco,
Graziela e Ernayde Cardoso
na
prova 3 Hs. da Guanabara/69
Acervo
de Sidney Cardoso |
”-
Fui a única a seguir carreira, a Lulla, a Marise até fizeram
algumas corridas, mas as outras só faziam prova feminina.”
Depois
da Ford foi trabalhar numa concessionária Volkswagem na Av.
Ibirapuera
em São Paulo
, a Itapuã, como gerente de vendas de novos e usados. Comprou um
Karman Ghia com motor Porsche, mas o câmbio
não agüentava, era
curto, muito bom para arrancadas.
Como era muito amiga do casal Lulla e Piero Gancia e
também de Emilio Zambello da Equipe Jolly-Gancia comprou uma Alfa GTV de 1600cc. e
acompanhando a equipe acabou sendo convidada
para correr.
Arrumou um patrocinador, a Valvoline.
Mas sua primeira prova pela equipe,
a prova da Rod. Pres.
Kennedy (RS) foi
com seu próprio carro, seria para correr com um carro da
equipe, o carro havia sido
oferecido para
ela, mas Rafaele Rosito (RS), que estava 1 ponto atrás
na disputa pelo Campeonato Gaúcho, pediu um carro e eles não
tinham, eram três carros, o do Zambello, o do Piero e mais um, então
propuseram preparar sua Alfa particular e o carro da equipe foi para Rosito, e a
Jolly-Gancia conseguiu:1º com Zambello, 2º com Rosito e 4º com
Graziela.
Quem
chegou
em 3º foi Bertuol (RS), que disputava com Rosito (RS) o Campeonato
Gaucho:
”-
Na última curva ele me passou, quase me jogou fora, mas não
interessa, corrida é corrida. A diferença
nossa acho que foi de 3 ou 4 seg.”
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Correndo
com Ciro Cayres em 71
Acervo
de Adilson Brunharo |
Depois
passou a correr com a Alfa da equipe, mas pintada
com
as cores da Valvoline, seu patrocinador, sua primeira foi a “X Mil
Milhas Brasileiras de 1970”, convidou Carlos Alberto Sgarbi para correrem em dupla, e chegaram em 7º lugar na
geral, com 64
carros disputando. Convidou, também,
ninguém menos do que Ciro Cayres para correrem
em dupla a ”12
Horas de Interlagos“, de 1971, mas na corrida Ciro
quebrou
o
cambio
e não terminaram.
Em
71 também participou, sozinha, da “VI 6 Horas de Interlagos”, pelo anel externo
e em 3 baterias, chegou em 7º lugar na geral.
”-
Porque parei na Jolly-Gancia? Porque
proibiram correr carro
importado, que se não, teria continuado sempre, a equipe era uma
maravilha.”
Na
época, onde a Equipe Jolly-Gancia ia, era sempre a novidade: “Quem é a Graziela? Onde está a Graziela?”
Sua última prova pela equipe foi o "XII
500 Quilômetros
de Interlagos" em 1971. Quando a Jolly-Gancia parou, seu
patrocinador, a Valvoline,
tinha uma equipe na StockCar e a convidou para correr.
"
- Experimentei o Opala, mas naquela época sair de uma Alfa e entrar num Opala era
um horror”,
não
se adaptou e parou de correr.
Parou, mas
sempre possuiu
moto possante, veloz, outra de suas paixões.
Aí
conheceu seu marido e se casaram em 1973, não trabalhou mais,
mas não
virou dona de casa e nem teve filhos, começaram a abrir uma
fazenda, o que não é um trabalho fácil.
Como precisavam de um meio de locomoção rápido, ela aproveitou
para
realizar outro sonho de juventude, tirou brevê e compraram um
avião monomotor, voou 7 anos com ele, depois compraram um Sêneca,
2 motores, voou mais 18 anos. Foi a primeira mulher a conseguir a
licença mais graduada do Brasil, a PLA (Piloto de Linha
Aérea). Foi examinadora de pilotos por muito tempo, no Brasil
inteiro. Tirou licença de co-piloto de LearJet, jatinho bi-reator
que faz até
900 Km/h
. Voou por 31 anos, com um total de 7.000 horas de vôo.
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Mil Km de Brasília 1970
Acervo
de Sidney Cardoso |
Em
1983, meses antes da "Mil Milhas", seu marido quis correr em
dupla com ela e como era uma corrida longa, boa, compraram um carro
pronto, o Opala StockCar de Zeca Giaffone que havia sido preparado por Jayme Silva,
mas como ele tinha sua equipe, então foi Vinicius
Losacco quem
preparou e deu assistência de
pista.
Com gasolina nas veias, quando no ano de
1990 a
convidaram para fazer o Campeonato de Off-Shore, barco, aceitou. Fez
o Campeonato Brasileiro de Off-Shore de 1990 e se saiu muito bem,
ficou em 3º lugar na categoria Off-Shore. “-
Parei porque pararam as corridas de Off-Shore. Teve um tempo que
parou, proibiram, senão eu teria continuado, era uma maravilha.”
Por
todo esse tempo teve moto Kawasaki Ninja de 900cc., avião (25 anos
- 74/99), e sempre carros com motores possantes. Isso nunca mudou,
estava no sangue.
Quando em
1995, a
mesma equipe, agora com barcos da categoria Fórmula 1, tinham 3
barcos, mas 1 dos barcos, o piloto, italiano, estava na Europa e não
conseguiu vir, então a convidaram, era uma final de Campeonato na
Represa de Guarapiranga em São Paulo
e estavam na frente do campeonato, naturalmente aceitou. A corrida
era no domingo, o convite foi na quinta, na sexta arrumou macacão,
capacete, tudo, aí treinou no sábado, correu no domingo e chegou
em 3º lugar.
“-
As corridas sempre foram uma paixão, tenho uma verdadeira paixão
por velocidade.”
Para
ler mais sobre Graziela, consulte:
Autodromointerlagos.com
Retrovisor
Online
Blog do Saloma
Speed On Line
Tabela
de participações e resultados (com a
colaboração de Napoleão Ribeiro e Ricardo Cunha)
26/07/1964
- 100 Milhas da Guanabara/RJ - Prova Feminina - Barra da Tijuca -
Willys Interlagos 998cc nº 19 - 3º
Lugar
19/06/1965 -
Prova Feminina - Interlagos/SP - Renault 1093 845cc nº 23 - 3º
Lugar
08/08/1965 - V Circuito de Piracicaba/SP - Grupo II - Renault 1093
845cc nº 23 - 8º
na geral e 2º na G II
08/08/1965 - V
Circuito de Piracicaba/SP - Grupo III - Renault 1093 845cc nº 23 - 9º
na geral e 2º na G III
01/05/1966 - II 1000 Quilômetros de Brasilia/DF - Eixo Monumental -
Willys Interlagos 998cc nº 68 - C/Luiz Carlos Fagundes - 18º
na geral e 6º na GT/PT
12/06/1966 - GP
IV Aniversário da APVC - Prova Feminina - Interlagos/SP -
Renault 1093 845cc nº 166 - 2º
Lugar
12/06/1966 - GP IV Aniversário da APVC - Interlagos/SP - Renault
1093 845cc nº 166 - 16º
na geral e 2º na G III
27/07/1969 -
Prova Rod. Pres. Keneedy - Lageado/RS - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº
33 - 4º Lugar
22/11/1970 - X Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP - Alfa Romeo
GTA 1.570cc nº 33 - C/Carlos Sgarbi - 7º
na geral e 3º na D3
06/12/1970 - Copa
Brasil - 1a Etapa - Interlagos/SP - Alfa
Romeo GTA 1.570cc nº 33 - 12º
Lugar
13/12/1970 - Copa Brasil - 2a Etapa - Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA
1.570cc nº 33 - 14º
Lugar
10/01/1971 -
Preliminar da Formula 3 - 1ª
Corrida - Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº 33 - 9º
Lugar
17/01/1971 - Preliminar da Formula 3 - 2ª
Corrida - Interlagos/SP - Alfa
Romeo GTA 1.570cc nº 33 - 10º
Lugar
25/01/1971 -
Preliminar da Fórmula 3 - 3ª Corrida - Interlagos/SP - Alfa Romeo
GTA 1.570cc nº 33 - 10º
Lugar
21/03/1971 - 12 Horas de Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº
33 - C/Ciro Cayres - D5 - AB
23/05/1971 -
Corrida dos Campeões - Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº
33 - 10º na
geral e 1º na D5
04/07/1971 - 6 Horas de Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº
33 - 7º na geral
e 4º na D5
01/08/1971 - 300
Quilômetros de Tarumã/RS - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº 33 - 8º
na geral e 5º na D5
07/09/1971 - XII 500 Quilômetros de Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA
1.570cc nº 33 - 14º
na geral e 5º na D5
11/12/1971
- 1ª Etapa da Copa Brasil - Interlagos/SP
- Alfa Romeo GTA 1.570cc nº 33
- 15º
na geral e 4º na D5
22/01/1983 - XIII
Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP -
Opala 4.093cc nº 21 - C/Carlos Alberto dos Santos (Cala) - AB
10/07/1983 - 12 Horas do Rio de Janeiro/RJ (Marcas e Pilotos) -
Jacarepaguá - Fiat 147 1.297cc nº 35 - C/Carminha Mascarenhas - AB
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